14/02/2008
13/02/2008
a importância de ser Valentim
Certo... estamos exactamente a 18 minutos do dia cor-de-rosa às bolinhas.
Felizmente deverei estar a trabalhar; sempre evita mais ou menos pensamentos mais estúpidos da minha parte.
Fechado na sala da IT, com a famosa janela para as traseiras do prédio, não deverei ver casalinhos, mãos dadas ou ramos de flores.
Quero convencer-me que o dia de S.Valentim não é mais que a celebração da morte de um gajo, como aliás já tinha referido. Contudo, o autocontrolo é coisa que nos últimos tempos não parece enquadrar nas minhas características particulares. Assim, cheira-me que mesmo antes de ter tempo de pensar em quão deprimente o dia se poderá tornar, já efectivamente o dia estará deprimente.
Sinto-me um Cupido.
É o meu trabalho.
Relacionar pessoas, independentemente do local onde se encontrem.
Garanto que a ligação é estabelecida e que mais um equipamento se encontra ligado.
Ligações de rede: o servidor sente-se só? Vamos a ligar mais um terminal à rede para fazer parzinho com ele.
E, subitamente, as taras e paragens matinais do servidor deixam de ser problemáticas porque o animal encontra algo melhor para fazer.
O próprio registo de logs é a loucura. Servidor A tentou contactar Terminal B; Terminal B rejeitou contacto e credenciais de Servidor A; Servidor A executou novo request a Terminal B como Administrador; Terminal B aceitou o pedido de ligação a Servidor A.
Só me faltava andar a correr pelos corredores com uma cuequinha cor-de-rosa e empunhando um arco e flecha.
É irritante o facto de prever que até as máquinas encontrarão algures na rede o seu par. E conseguirão efectivamente estabelecer ligação.
Vistas bem as coisas, às vezes chateia-me mesmo o facto de não ser um servidor qualquer...
Enfim, calculo que amanhã deva ser o dia indicado para a malta não abusar da sorte a chatear o informático.
Embora não faça sentido algum... afinal, é um dia normal, um dia como todos os outros... um dia de merda em que passarei mais uma noite a utilizar os meus dotes culinários para fazer uma refeição para dois: um prato para servir no sofá da sala a uma coisa qualquer chorosa, outro para servir na mesa da cozinha, na companhia da minha ilustre pessoa.
(Meia-noite: daqui a 24 horas isto é capaz de passar)
Felizmente deverei estar a trabalhar; sempre evita mais ou menos pensamentos mais estúpidos da minha parte.
Fechado na sala da IT, com a famosa janela para as traseiras do prédio, não deverei ver casalinhos, mãos dadas ou ramos de flores.
Quero convencer-me que o dia de S.Valentim não é mais que a celebração da morte de um gajo, como aliás já tinha referido. Contudo, o autocontrolo é coisa que nos últimos tempos não parece enquadrar nas minhas características particulares. Assim, cheira-me que mesmo antes de ter tempo de pensar em quão deprimente o dia se poderá tornar, já efectivamente o dia estará deprimente.
Sinto-me um Cupido.
É o meu trabalho.
Relacionar pessoas, independentemente do local onde se encontrem.
Garanto que a ligação é estabelecida e que mais um equipamento se encontra ligado.
Ligações de rede: o servidor sente-se só? Vamos a ligar mais um terminal à rede para fazer parzinho com ele.
E, subitamente, as taras e paragens matinais do servidor deixam de ser problemáticas porque o animal encontra algo melhor para fazer.
O próprio registo de logs é a loucura. Servidor A tentou contactar Terminal B; Terminal B rejeitou contacto e credenciais de Servidor A; Servidor A executou novo request a Terminal B como Administrador; Terminal B aceitou o pedido de ligação a Servidor A.
Só me faltava andar a correr pelos corredores com uma cuequinha cor-de-rosa e empunhando um arco e flecha.
É irritante o facto de prever que até as máquinas encontrarão algures na rede o seu par. E conseguirão efectivamente estabelecer ligação.
Vistas bem as coisas, às vezes chateia-me mesmo o facto de não ser um servidor qualquer...
Enfim, calculo que amanhã deva ser o dia indicado para a malta não abusar da sorte a chatear o informático.
Embora não faça sentido algum... afinal, é um dia normal, um dia como todos os outros... um dia de merda em que passarei mais uma noite a utilizar os meus dotes culinários para fazer uma refeição para dois: um prato para servir no sofá da sala a uma coisa qualquer chorosa, outro para servir na mesa da cozinha, na companhia da minha ilustre pessoa.
(Meia-noite: daqui a 24 horas isto é capaz de passar)
álgebra linear
Já referi isto muitas vezes neste blog.
Um informático na minha idade constata que passou exactamente um terço da sua existência a estudar verdades inegáveis, matérias inquestionáveis e certezas incondicionais.
Na verdade, um tipo na minha idade e a esta hora da noite, deveria era estar nos copos e a preparar uma noite de quinta para quarta. Confesso que não é exactamente o programa que mais me fascina. Mas por esse mesmo motivo, não me posso também queixar muito por estar sozinho.
É um facto que não tenho 100 anos, não sou um tipo acabado nem tenho a linda cara do Zé Cabra.
Possivelmente vejo as coisas de forma ligeiramente diferente da malta da minha idade - certo ou errado, torna-me mais velho; acabado também não estarei... embora tenha andado a passar essa imagem no Especial S. Valentim com o meu amigo Afonso, a verdade é que já por algumas vezes me dei ao luxo de ignorar insinuações de umas e outras, chegando mesmo a ser altamente antipático e tendo a noção perfeita de que poderia estar a magoar alguém, da mesma forma que tantas vezes também já me magoaram a mim. Não é uma questão de vingança, é apenas uma forma fácil de resolver as situações. Creio que sempre preferi atirar com um irrevogável 'não' do que alimentar esperanças. E no fundo talvez seja um dos muitos aspectos a melhorar na minha pessoa... ter um pouco mais de tacto e lembrar-me um bocado dos sentimentos das outras pessoas. Ninguém deve gostar de ouvir um 'não' e os meus são normalmente muito duros. Se o faço... é porque não estou mesmo minimamente interessado. Penso que há um limite e, quando começam a entrar em determinada realidade, tenho o hábito de não colocar travões - atiro simplesmente um calhau gigantesco para o meio do caminho, eliminando assim todas e quaisquer hipóteses que possam inventar do outro lado; não morro de amores por mim, nunca gostei de me andar a ver ao espelho (não creio que seja nada assim tão especial que valha a pena perder tempo nisso) mas, tenho a noção perfeita (presunção ou realismo, como lhe queiram chamar) que há pessoal efectivamente muito pior que eu.
Talvez esta minha perspectiva se enquadre um pouco na mítica questão de me classificar como pato. Sou um pouco irritante com o meu grasnanço, dou umas voltinhas no lago e embora a malta me ache muita piada, serei efectivamente bastante mais apetecível no forno com umas rodelinhas de laranja. Só para que conste, não estou a tentar nenhum trocadilho de índole sexual.
Assim, nunca fui um tipo apressado para ir buscar o milho (agora sim, é um trocadilho de cariz sexual).
Não ajo irreflectidamente nem tenho propensão para me atirar ao primeiro peito de franga que me aparece à frente.
Contudo, quando o faço, há motivos que a própria razão desconhece como aliás, seria de esperar neste tipo de situações.
A paciência é efectivamente uma virtude. Afinal, se sempre fui pato capaz de jogar SimCity pela madrugada fora, não me faz confusão ir tentando cimentar outros caminhos, independentemente do tempo que possa demorar.
Também por este motivo, não tenho nem nunca tive o hábito de andar a disparar em várias direcções.
Gosto de manter a minha sanidade mental e, por muito que isso possa custar a compreender aos meus amigos patos, as relações não são sistemas de equações lineares em que quando uma delas fica pendurada, mudamos para a debaixo, resolvemos mais uma variável e voltamos novamente à equação linear inicial... pelo menos no meu ponto de vista. Embora me custe dizer isto por causa do trauma que obtive com Investigação Operacional, gosto mais de ver as relações como aqueles sistemas meio-marados em que resolvíamos tooooooda uma equação antes de passarmos à seguinte.
No fundo, baseia-se nisto: a partir do momento em que existe uma porta aberta, por ínfima que seja a abertura, há que esgotar todas as hipóteses até se chegar ao limite. Esgotámos todas as hipóteses... pensamos e arranjamos mais umas quantas soluções. Somos engenheiros caramba! O nosso trabalho é resolver aquilo que outros acham inexequível!
Claro que havia sempre aquelas equações sem solução. Tipo... mas não acredito que as coisas sejam assim tão científicas. Há equações com solução e... aquelas que dão luta.
E claro, como não poderia deixar de ser, por vezes sem motivo aparente, por muito estranho que possa parecer, ridículo ou impensável, as equações tiram-nos o sono. Ficamos horas a fio a pensar em toda a sua intrigante construção, na beleza das suas variáveis e na possibilidade da existência da sua solução.
A equação ainda não saiu do papel? E depois? Acaba por ter piada o pré-conhecimento da equação antes da implementação final na forma de uma estrutura neural de dados. E vejamos... se calhar até é esta a forma correcta de se fazer as coisas e ainda por aí imensa malta enganada.
E se, muito dificilmente, o sono bate à porta, ainda temos tempo no limiar da madrugada de acordar em sobressalto cabeceando violentamente o armário que pende acima da cabeça.
Quando se gosta mesmo de equações, ou melhor, quando existe mesmo uma solução pendente de uma equação, que nos tira o sono e preocupa, acaba-se a dissertar matematicamente noite dentro, debitando caracteres num teclado. E pensamos... por que não?
A problemática encontra-se aqui ligeiramente deslocada. A situação é que estamos apenas a analisar um dos lados... o problema é bem maior quando se verifica o contexto do lado da equação.
Afinal, para quê facilitar a solução? Valerá a pena? Poderá tratar-se de uma verificação analítica tentando perceber o que estamos dispostos a fazer para a encontrar. O que somos capazes de fazer no limite da resistência, o que pretendemos ao certo, até onde seremos capazes de ir para resolver finalmente a equação.
E compreende-se também o lado 'equacionário' da questão... poderá existir uma preocupação que assenta na questão do que irá o tipo fazer depois de encontrar a tão complexa solução.
É uma questão simples, de resposta ainda mais simples. De facto, há por aí uns quantos tipos que gostam de desafios. Um desafio só é um desafio enquanto não existe solução. O que garante que não se mudará de desafio depois de descoberta a solução? Algo simples... ninguém dá o máximo de si para largar tudo e partir para outro desafio. Seria algo imbecil.
As equações não são como um brinquedo na mão de um matemático que, quando se farta, atira com elas para a margem de uma folha... não deve ser algo em que as equações devam ter dúvidas.
Claro que há matemáticos para todos os gostos, assim como há uma vasta gama de equações para solucionar.
Este em particular, é dos que se mata a resolver a equação. Mas depois não a atira para o canto da folha. Pelo contrário - fica tão contente que desata a escrevê-la vezes sem conta em todas as folhas que encontra...
Mas há efectivamente equações muito complicadas.
Não é por sermos simpáticos, loucos ou patos que chegamos à solução.
É sempre necessário ter uma grande dose de criatividade para marcar a diferença (e ter um blog não parece abonar muito a favor).
Um informático na minha idade constata que passou exactamente um terço da sua existência a estudar verdades inegáveis, matérias inquestionáveis e certezas incondicionais.
Na verdade, um tipo na minha idade e a esta hora da noite, deveria era estar nos copos e a preparar uma noite de quinta para quarta. Confesso que não é exactamente o programa que mais me fascina. Mas por esse mesmo motivo, não me posso também queixar muito por estar sozinho.
É um facto que não tenho 100 anos, não sou um tipo acabado nem tenho a linda cara do Zé Cabra.
Possivelmente vejo as coisas de forma ligeiramente diferente da malta da minha idade - certo ou errado, torna-me mais velho; acabado também não estarei... embora tenha andado a passar essa imagem no Especial S. Valentim com o meu amigo Afonso, a verdade é que já por algumas vezes me dei ao luxo de ignorar insinuações de umas e outras, chegando mesmo a ser altamente antipático e tendo a noção perfeita de que poderia estar a magoar alguém, da mesma forma que tantas vezes também já me magoaram a mim. Não é uma questão de vingança, é apenas uma forma fácil de resolver as situações. Creio que sempre preferi atirar com um irrevogável 'não' do que alimentar esperanças. E no fundo talvez seja um dos muitos aspectos a melhorar na minha pessoa... ter um pouco mais de tacto e lembrar-me um bocado dos sentimentos das outras pessoas. Ninguém deve gostar de ouvir um 'não' e os meus são normalmente muito duros. Se o faço... é porque não estou mesmo minimamente interessado. Penso que há um limite e, quando começam a entrar em determinada realidade, tenho o hábito de não colocar travões - atiro simplesmente um calhau gigantesco para o meio do caminho, eliminando assim todas e quaisquer hipóteses que possam inventar do outro lado; não morro de amores por mim, nunca gostei de me andar a ver ao espelho (não creio que seja nada assim tão especial que valha a pena perder tempo nisso) mas, tenho a noção perfeita (presunção ou realismo, como lhe queiram chamar) que há pessoal efectivamente muito pior que eu.
Talvez esta minha perspectiva se enquadre um pouco na mítica questão de me classificar como pato. Sou um pouco irritante com o meu grasnanço, dou umas voltinhas no lago e embora a malta me ache muita piada, serei efectivamente bastante mais apetecível no forno com umas rodelinhas de laranja. Só para que conste, não estou a tentar nenhum trocadilho de índole sexual.
Assim, nunca fui um tipo apressado para ir buscar o milho (agora sim, é um trocadilho de cariz sexual).
Não ajo irreflectidamente nem tenho propensão para me atirar ao primeiro peito de franga que me aparece à frente.
Contudo, quando o faço, há motivos que a própria razão desconhece como aliás, seria de esperar neste tipo de situações.
A paciência é efectivamente uma virtude. Afinal, se sempre fui pato capaz de jogar SimCity pela madrugada fora, não me faz confusão ir tentando cimentar outros caminhos, independentemente do tempo que possa demorar.
Também por este motivo, não tenho nem nunca tive o hábito de andar a disparar em várias direcções.
Gosto de manter a minha sanidade mental e, por muito que isso possa custar a compreender aos meus amigos patos, as relações não são sistemas de equações lineares em que quando uma delas fica pendurada, mudamos para a debaixo, resolvemos mais uma variável e voltamos novamente à equação linear inicial... pelo menos no meu ponto de vista. Embora me custe dizer isto por causa do trauma que obtive com Investigação Operacional, gosto mais de ver as relações como aqueles sistemas meio-marados em que resolvíamos tooooooda uma equação antes de passarmos à seguinte.
No fundo, baseia-se nisto: a partir do momento em que existe uma porta aberta, por ínfima que seja a abertura, há que esgotar todas as hipóteses até se chegar ao limite. Esgotámos todas as hipóteses... pensamos e arranjamos mais umas quantas soluções. Somos engenheiros caramba! O nosso trabalho é resolver aquilo que outros acham inexequível!
Claro que havia sempre aquelas equações sem solução. Tipo... mas não acredito que as coisas sejam assim tão científicas. Há equações com solução e... aquelas que dão luta.
E claro, como não poderia deixar de ser, por vezes sem motivo aparente, por muito estranho que possa parecer, ridículo ou impensável, as equações tiram-nos o sono. Ficamos horas a fio a pensar em toda a sua intrigante construção, na beleza das suas variáveis e na possibilidade da existência da sua solução.
A equação ainda não saiu do papel? E depois? Acaba por ter piada o pré-conhecimento da equação antes da implementação final na forma de uma estrutura neural de dados. E vejamos... se calhar até é esta a forma correcta de se fazer as coisas e ainda por aí imensa malta enganada.
E se, muito dificilmente, o sono bate à porta, ainda temos tempo no limiar da madrugada de acordar em sobressalto cabeceando violentamente o armário que pende acima da cabeça.
Quando se gosta mesmo de equações, ou melhor, quando existe mesmo uma solução pendente de uma equação, que nos tira o sono e preocupa, acaba-se a dissertar matematicamente noite dentro, debitando caracteres num teclado. E pensamos... por que não?
A problemática encontra-se aqui ligeiramente deslocada. A situação é que estamos apenas a analisar um dos lados... o problema é bem maior quando se verifica o contexto do lado da equação.
Afinal, para quê facilitar a solução? Valerá a pena? Poderá tratar-se de uma verificação analítica tentando perceber o que estamos dispostos a fazer para a encontrar. O que somos capazes de fazer no limite da resistência, o que pretendemos ao certo, até onde seremos capazes de ir para resolver finalmente a equação.
E compreende-se também o lado 'equacionário' da questão... poderá existir uma preocupação que assenta na questão do que irá o tipo fazer depois de encontrar a tão complexa solução.
É uma questão simples, de resposta ainda mais simples. De facto, há por aí uns quantos tipos que gostam de desafios. Um desafio só é um desafio enquanto não existe solução. O que garante que não se mudará de desafio depois de descoberta a solução? Algo simples... ninguém dá o máximo de si para largar tudo e partir para outro desafio. Seria algo imbecil.
As equações não são como um brinquedo na mão de um matemático que, quando se farta, atira com elas para a margem de uma folha... não deve ser algo em que as equações devam ter dúvidas.
Claro que há matemáticos para todos os gostos, assim como há uma vasta gama de equações para solucionar.
Este em particular, é dos que se mata a resolver a equação. Mas depois não a atira para o canto da folha. Pelo contrário - fica tão contente que desata a escrevê-la vezes sem conta em todas as folhas que encontra...
Mas há efectivamente equações muito complicadas.
Não é por sermos simpáticos, loucos ou patos que chegamos à solução.
É sempre necessário ter uma grande dose de criatividade para marcar a diferença (e ter um blog não parece abonar muito a favor).
12/02/2008
incentivos
Há bem pouco tempo, um amigo meu veio pedir-me um conselho.
Pretendia que lhe indicasse um bom restaurante onde pudesse levar a namorada neste S.Valentim.
Bom, claro que tal indicação nunca se deveria à minha larga experiência em levar tampas, mas sim ao facto de ser um bom garfo.
De facto, foi algo com o qual nunca me preocupei: penso que nunca tive necessidade de levar ninguém ao restaurante porque normalmente acabava sempre tudo antes.
Na realidade, creio que existe um mito que tem de ser quebrado.
Ah, e tal... os homens não gostam de assumir compromissos.
Ah ah ah... pelo contrário! Curiosamente comigo foi sempre ao contrário. Penso que o sexo oposto tem um grave problema comigo e com a expressão "compromisso mais sério". É que tipo... normalmente são os homens a querer a noite de quinta para quarta (Fase IV) e a ficarem-se por aí.
Depois sempre temos as jovens que só para as arrastar à Fase I é um caso sério...
De qualquer forma, lá sugeri um restaurante muito bom e apropriado à ocasião.
Possivelmente o meu amigo irá marcar uns pontos. O que é bom. Haja quem os marque, lol.
Mas parece-me a mim que a questão acaba por ser um pouco deprimente.
É que a malta já sabe que sou o encalhado da Liga dos Solteiros... mas pedem-me estas opiniões.
Se estivesse na situação oposta penso que eu seria a última pessoa a quem iria pedir conselhos deste tipo. Seria um bocado naquela: "O gajo nem a consegue levar a sair...! Ainda lhe vou pedir conselhos de restaurantes?"
Mas agradeço a confiança depositada na minha pessoa. Nota-se que há aqui algum reconhecimento das minhas bases grastronomico-hoteleiras e também alguma consideração e respeito pelas minhas capacidades... :S
No fundo, deve ser uma espécie de incentivo por parte do meu amigo, de forma a tentar fazer este pato acreditar que não é um caso perdido.
Veremos se ele tem razão.
Pretendia que lhe indicasse um bom restaurante onde pudesse levar a namorada neste S.Valentim.
Bom, claro que tal indicação nunca se deveria à minha larga experiência em levar tampas, mas sim ao facto de ser um bom garfo.
De facto, foi algo com o qual nunca me preocupei: penso que nunca tive necessidade de levar ninguém ao restaurante porque normalmente acabava sempre tudo antes.
Na realidade, creio que existe um mito que tem de ser quebrado.
Ah, e tal... os homens não gostam de assumir compromissos.
Ah ah ah... pelo contrário! Curiosamente comigo foi sempre ao contrário. Penso que o sexo oposto tem um grave problema comigo e com a expressão "compromisso mais sério". É que tipo... normalmente são os homens a querer a noite de quinta para quarta (Fase IV) e a ficarem-se por aí.
Depois sempre temos as jovens que só para as arrastar à Fase I é um caso sério...
De qualquer forma, lá sugeri um restaurante muito bom e apropriado à ocasião.
Possivelmente o meu amigo irá marcar uns pontos. O que é bom. Haja quem os marque, lol.
Mas parece-me a mim que a questão acaba por ser um pouco deprimente.
É que a malta já sabe que sou o encalhado da Liga dos Solteiros... mas pedem-me estas opiniões.
Se estivesse na situação oposta penso que eu seria a última pessoa a quem iria pedir conselhos deste tipo. Seria um bocado naquela: "O gajo nem a consegue levar a sair...! Ainda lhe vou pedir conselhos de restaurantes?"
Mas agradeço a confiança depositada na minha pessoa. Nota-se que há aqui algum reconhecimento das minhas bases grastronomico-hoteleiras e também alguma consideração e respeito pelas minhas capacidades... :S
No fundo, deve ser uma espécie de incentivo por parte do meu amigo, de forma a tentar fazer este pato acreditar que não é um caso perdido.
Veremos se ele tem razão.
11/02/2008
Mais um ano
Ora aí estamos na recta final para o dia de S. Valentim.
Para quem não sabe, Valentim foi bispo durante o governo do Imperador Claudius II (isto segundo a wikipedia... até posso estar a referir uma gigantesca asneira); parece que para fomentar o crescimento do exército, o Imperador proibiu os casamentos... a lógica seria qualquer coisa como 'se não tens família, alistas-te no exército'... basicamente, um gajo agarrava-se ao pau, ou melhor, à espada, e ia para a caserna.
Parece ligeiramente desagradável. Lembra a vida de alguns patos. Mas sem a caserna.
Acontece que o Bispo continuou a celebrar casamentos em segredo, até que foi descoberto e condenado à morte.
Enquanto esteve preso, aproveitou para papar a filha do carcereiro, que era ceguinha... também enquanto esteve preso, os jovens escreviam cartas e atiravam flores dizendo que ainda acreditavam no amor. Parece fofo. Daí que a tradição dos bilhetinhos se tenha mantido até hoje. É a escrita ao condenado.
A melhor parte vem agora.
O Bispo Valentim foi decapitado no dia 14 de Fevereiro de 270 d.C.
Assim, o que a malta celebra, não é mais que o corte de mais uma cabecinha.
Eu bem falo na castração nocturna, mas ninguém acredita...
Parece-me a mim que a própria circuncisão não é mais que uma metáfora muito particular ao dia dos Namorados que, por sua vez, se baseia também no corte de uma cabeça.
Confesso que para post do Dia dos Namorados isto está a tornar-se um pouco nojento demais.
Aliás, para os leitores que me conhecem, isto para post começa a deixar um pouco a desejar... devia ser uma escrita bem mais deprimente e repressiva.
De facto, gosto do facto da malta celebrar a morte de um bispo. Parece algo coerente.
"Meu caramelozinho de leite coberto de chocolate... toma este raminho de flores como prova do meu amor e símbolo deste dia em que um gajo qualquer foi decepado"
É uma onda um pouco mórbida... mas há gostos para tudo.
Havia um que se cortava para a namorada 'beber' o seu sangue... isto parece-me ser deveras estranho.
Claro que depende de muitos factores, passando pelo local do corte até à forma como o sangue era retirado. De qualquer forma parece-me que há fluidos bastante mais interessantes para serem 'trocados' sem ser o sangue. Afinal, não somos mosquitos...
O Dia dos Namorados parece ser também uma espécie de Natal. Ao longo do ano, temos os casalinhos às turras, encornando-se uns aos outros mas, ao chegar o S.Valentim... "Meu amorzinho...".
E assim permanecem por mais umas horas, até ao raiar do dia 15 de Fevereiro.
Na verdade, poucos são os que fazem efectivamente alguma coisa para que seja Dia dos Namorados todos os dias. Ao que parece, cerca de 90% da malta apenas quer uma noite de quinta para quarta.
Só 10% captam a verdadeira essência da situação.
Mas enfim... a malta parece gostar... animais de merda.
E depois há sempre toda a cobertura publicitária em torno do Dia de S.Valentim: "Surpreenda a sua cara-metade neste dia...".
Foda-se! A cara-metade não quer ser surpreendida no S.Valentim!!! Isso é algo previsível... depois é aquele sorriso amarelo: "Ah... que bom... uma surpresa...!"; a cara-metade quer ser surpreendida é quando não está à espera, o que torna a situação numa efectiva surpresa.
Será assim tão complicado entender esta merda?
Na volta sou eu que estou enganado... afinal, sou eu que vou passar mais um 14 de Fevereiro sozinho.
Eventualmente deverá haver alguma relação.
Enfim. Tecnicamente, a malta deve então é divertir-se, surpreender alguém especial com algo que não será uma surpresa e, acima de tudo, festejar mais uma cabeça no balde.
Altamente.
Para quem não sabe, Valentim foi bispo durante o governo do Imperador Claudius II (isto segundo a wikipedia... até posso estar a referir uma gigantesca asneira); parece que para fomentar o crescimento do exército, o Imperador proibiu os casamentos... a lógica seria qualquer coisa como 'se não tens família, alistas-te no exército'... basicamente, um gajo agarrava-se ao pau, ou melhor, à espada, e ia para a caserna.
Parece ligeiramente desagradável. Lembra a vida de alguns patos. Mas sem a caserna.
Acontece que o Bispo continuou a celebrar casamentos em segredo, até que foi descoberto e condenado à morte.
Enquanto esteve preso, aproveitou para papar a filha do carcereiro, que era ceguinha... também enquanto esteve preso, os jovens escreviam cartas e atiravam flores dizendo que ainda acreditavam no amor. Parece fofo. Daí que a tradição dos bilhetinhos se tenha mantido até hoje. É a escrita ao condenado.
A melhor parte vem agora.
O Bispo Valentim foi decapitado no dia 14 de Fevereiro de 270 d.C.
Assim, o que a malta celebra, não é mais que o corte de mais uma cabecinha.
Eu bem falo na castração nocturna, mas ninguém acredita...
Parece-me a mim que a própria circuncisão não é mais que uma metáfora muito particular ao dia dos Namorados que, por sua vez, se baseia também no corte de uma cabeça.
Confesso que para post do Dia dos Namorados isto está a tornar-se um pouco nojento demais.
Aliás, para os leitores que me conhecem, isto para post começa a deixar um pouco a desejar... devia ser uma escrita bem mais deprimente e repressiva.
De facto, gosto do facto da malta celebrar a morte de um bispo. Parece algo coerente.
"Meu caramelozinho de leite coberto de chocolate... toma este raminho de flores como prova do meu amor e símbolo deste dia em que um gajo qualquer foi decepado"
É uma onda um pouco mórbida... mas há gostos para tudo.
Havia um que se cortava para a namorada 'beber' o seu sangue... isto parece-me ser deveras estranho.
Claro que depende de muitos factores, passando pelo local do corte até à forma como o sangue era retirado. De qualquer forma parece-me que há fluidos bastante mais interessantes para serem 'trocados' sem ser o sangue. Afinal, não somos mosquitos...
O Dia dos Namorados parece ser também uma espécie de Natal. Ao longo do ano, temos os casalinhos às turras, encornando-se uns aos outros mas, ao chegar o S.Valentim... "Meu amorzinho...".
E assim permanecem por mais umas horas, até ao raiar do dia 15 de Fevereiro.
Na verdade, poucos são os que fazem efectivamente alguma coisa para que seja Dia dos Namorados todos os dias. Ao que parece, cerca de 90% da malta apenas quer uma noite de quinta para quarta.
Só 10% captam a verdadeira essência da situação.
Mas enfim... a malta parece gostar... animais de merda.
E depois há sempre toda a cobertura publicitária em torno do Dia de S.Valentim: "Surpreenda a sua cara-metade neste dia...".
Foda-se! A cara-metade não quer ser surpreendida no S.Valentim!!! Isso é algo previsível... depois é aquele sorriso amarelo: "Ah... que bom... uma surpresa...!"; a cara-metade quer ser surpreendida é quando não está à espera, o que torna a situação numa efectiva surpresa.
Será assim tão complicado entender esta merda?
Na volta sou eu que estou enganado... afinal, sou eu que vou passar mais um 14 de Fevereiro sozinho.
Eventualmente deverá haver alguma relação.
Enfim. Tecnicamente, a malta deve então é divertir-se, surpreender alguém especial com algo que não será uma surpresa e, acima de tudo, festejar mais uma cabeça no balde.
Altamente.
10/02/2008
Pato Preto, Pato Branco: Especial S. Valentim
Estimados leitores,
Não percam, até dia 14 de Fevereiro, as melhores tampas para darem aquela pessoa especial.
No Pato Preto, Pato Branco.
Quem desejar contribuir, basta fazer um comment com uma tampa de sua autoria.
Divirtam-se.
Não percam, até dia 14 de Fevereiro, as melhores tampas para darem aquela pessoa especial.
No Pato Preto, Pato Branco.
Quem desejar contribuir, basta fazer um comment com uma tampa de sua autoria.
Divirtam-se.
09/02/2008
E agora para animar ainda mais, tenho a mailbox do pato.marques@gmail.com a ser atacada por inúmeras mensagens de SPAM.
O detalhe: o assunto é sempre o mesmo. Ganhei a Grande Lotaria do Reino Unido!
É ligeiramente irónico. Terei os meus motivos para o achar, mas é irónico.
E está a atulhar-me a caixa de correio.
O detalhe: o assunto é sempre o mesmo. Ganhei a Grande Lotaria do Reino Unido!
É ligeiramente irónico. Terei os meus motivos para o achar, mas é irónico.
E está a atulhar-me a caixa de correio.
pancadas
Gosto imenso do meu telemóvel.
Geração anterior à actual, coberto com borracha, altamente robusto e resistente a poeiras. Mesmo à minha medida. O ideal para um informático que anda sempre a sentar-se em cima do telefone ou pendurado nas altura dos bastidores de rede.
Vezes sem conta o telemóvel caiu; vezes sem conta manteve-se em funcionamento.
Só tem um problema. Um bug irritante... sempre que o desligo tenho problemas em ligá-lo novamente. De qualquer forma, atirando-o à parede fica novamente a funcionar. Sempre imaginei que fosse uma feature e não um bug.
Anyway... os meus pontos iam expirar agora e tive de os usar.
É algo chato. Agora tenho o antigo telemóvel calado.
Nota-se um certo ar deprimente no aparelho. Parece mesmo que amuou.
De facto sinto-me culpado.
Se fosse um telemóvel e servisse minimamente o meu dono durante quase dois anos sem lhe dar problemas, ia ficar mesmo chateado se fosse trocado por um mais recente.
É que na realidade nem o queria trocar. Foi mais por uma questão de princípio. Os pontos acumulados iriam expirar caso não lhes desse uso. Seria um pouco como ser roubado pela própria operadora.
Parece algo meio doentio, mas é a realidade.
Tenho pena do probrezinho, desligado, sem cartão, mas com um ar de abandono... como se fosse um pato de estimação largado à beira da estrada nas férias.
Agora penso no que acontecerá se o voltar a ligar. Tenho andado a pensar em meter-lhe um cartão de uma daquelas operadoras low-cost, mesmo usando outra rede... só não queria mesmo enterrá-lo assim.
Não faz sentido "desligá-lo da máquina", logo agora, no auge da sua juventude electrónica.
Falando em pancadas... a "coisa" esta noite fez o favor de se estatelar repetidas vezes a caminho da casa-de-banho...
Não que me chateie muito; o que me faz passar é ter de me levantar de madrugada para a levantar e ainda ter de limpar o sangue que ficou no chão depois de ter rebentado a canela na queda.
Pergunto-me se a 'coisa' não poderia fazer este tipo de coisas durante o dia. Mas seria pedir muito...
É que tem um timing perfeito. Logo naquela hora, entre as 4 e as 5 da manhã, quando estou finalmente quase a conseguir adormecer... bummm! O que foi isto? Ah... caiu outra vez...
Mas afinal, quem é que mija às 4 da manhã????
Geração anterior à actual, coberto com borracha, altamente robusto e resistente a poeiras. Mesmo à minha medida. O ideal para um informático que anda sempre a sentar-se em cima do telefone ou pendurado nas altura dos bastidores de rede.
Vezes sem conta o telemóvel caiu; vezes sem conta manteve-se em funcionamento.
Só tem um problema. Um bug irritante... sempre que o desligo tenho problemas em ligá-lo novamente. De qualquer forma, atirando-o à parede fica novamente a funcionar. Sempre imaginei que fosse uma feature e não um bug.
Anyway... os meus pontos iam expirar agora e tive de os usar.
É algo chato. Agora tenho o antigo telemóvel calado.
Nota-se um certo ar deprimente no aparelho. Parece mesmo que amuou.
De facto sinto-me culpado.
Se fosse um telemóvel e servisse minimamente o meu dono durante quase dois anos sem lhe dar problemas, ia ficar mesmo chateado se fosse trocado por um mais recente.
É que na realidade nem o queria trocar. Foi mais por uma questão de princípio. Os pontos acumulados iriam expirar caso não lhes desse uso. Seria um pouco como ser roubado pela própria operadora.
Parece algo meio doentio, mas é a realidade.
Tenho pena do probrezinho, desligado, sem cartão, mas com um ar de abandono... como se fosse um pato de estimação largado à beira da estrada nas férias.
Agora penso no que acontecerá se o voltar a ligar. Tenho andado a pensar em meter-lhe um cartão de uma daquelas operadoras low-cost, mesmo usando outra rede... só não queria mesmo enterrá-lo assim.
Não faz sentido "desligá-lo da máquina", logo agora, no auge da sua juventude electrónica.
Falando em pancadas... a "coisa" esta noite fez o favor de se estatelar repetidas vezes a caminho da casa-de-banho...
Não que me chateie muito; o que me faz passar é ter de me levantar de madrugada para a levantar e ainda ter de limpar o sangue que ficou no chão depois de ter rebentado a canela na queda.
Pergunto-me se a 'coisa' não poderia fazer este tipo de coisas durante o dia. Mas seria pedir muito...
É que tem um timing perfeito. Logo naquela hora, entre as 4 e as 5 da manhã, quando estou finalmente quase a conseguir adormecer... bummm! O que foi isto? Ah... caiu outra vez...
Mas afinal, quem é que mija às 4 da manhã????
07/02/2008
06/02/2008
Absurdos
Ontem fui ao Pingo Doce.
Uma das lojas mais normais, daquelas enfiadas no meio dos bairros, longe da agitação 'hipermercantil' de lojas mais afastadas do centro da cidade.
Lá encho a cestinha e vou pagar. Depois de esvaziar a cesta no tapete rolante, passo normalmente pela caixa, pronto para pousar a cesta e pagar. De repente, o alarme da caixa começa a soar... notando que algo não estava bem, dignei-me a retirar os headphones dos orelhudos pedaços de carne e cartilagem que tenho nas laterais cranianas para tentar perceber o que a jovem da caixa me queria dizer (e não, não era o preço...).
"Ah, sabe... a cesta tem de ficar do lado de dentro da loja..." (os gajos metem alarmes nas cestas... liiiinnnndo)
Já com os sensores de ironia e sarcasmos a dar o toque, olhei para trás de mim... à vontade umas dez pessoas na fila e, de facto, uns ditos suportes para as cestas lá bem ao fundo.
Para não me chatear disse apenas:
"Ah... pois, bom para si..."
A jovem da caixa olha-me com um olhar irado como se fosse a coisa mais normal do mundo esvaziar a cesta a cinco metros da caixa e ir para a fila de pagamento com os congelados na mão; creio que na verdade ela estaria mesmo à espera que eu abandonasse as compras na caixa e fosse colocar a merda da cesta onde ela queria.
Não é que não o fizesse... mas achei que seria contra os meus princípios - até porque por muito tarado que seja, nunca me passou pela cabeça andar a passear as compras na mão quando podia levar a cesta até à caixa.
Então ela insistiu, com um risinho amarelo, como se estivesse a falar com um imbecil:
"Não, não, não está a per-ce-ber..." - separando as sílabas desta forma... - "não pode deixar a cestinha aí junto à caixa, tem mesmo de recolocá-la lá dentro".
Este é o ponto em que me passo completamente, estoiro e dou uns berros dentro da loja...
"Vamos a ver! Olhe, se faz assim tanta questão, leve-a você!"
Podia ter explicado os meus motivos, que tal lógica não fazia sentido, mas seria muito para ela...
Aliás... lixado como já andava, teve muita sorte em não a ter mandado à merda a ela, às compras e ao Pingo Doce.
De qualquer forma, era bem mandada. Largou a caixa e foi ela mesmo colocar a cesta dentro da loja...
Creio que há algo a retirar desta história... se pensam que eu sou doido, a jovem da caixa do Pingo Doce deve ter mesmo taras fortes... com a ideia fixa com que estava, deve ser daquelas que fazem castração nocturna a um gajo. Daquelas com quem convém dormir com um olho bem aberto, não vá uma faca ou tesoura deslizar até zonas perigosas... e acordarmos com um enchido na mão. Solto.
Postais.
De Natal, Ano Novo, Dia dos Namorados.
Certo. Faz algum sentido nos dois primeiros casos.
Vou então reformular.
Postais.
Do Dia dos Namorados, Dia da Mulher, da Mãe, do Pai... postais desse tipo.
Sempre que vou a um desses websites que fornecem cartões para enviar por email, reparo em algo deveras estranho.
Há sempre uma opção merdosa no final que refere qualquer coisa como "carregue aqui para enviar a mais destinatários".
Faz todo o sentido, sem dúvida alguma... isto porque um tipo normal tem cinco ou seis "mais que tudo", dez mães e quinze pais...
É uma pergunta lógica. De facto, é a situação mais normal deste mundo. "Deseja enviar o seu cartão a mais alguém?" É... deve ser... a malta envia a três ou quatro diferentes, não vão as coisas dar para o torto... deve ser o conceito de 'plano de contingência' para os e-cards...
É isso e o gajo que entra na papelaria... "Tem cartões que digam 'Ao meu único Amor'? Fixe, dê-me aí uns vinte.."
Continuo a achar uma boa merda enviarem-nos os recibos do ordenado com a indicação da quantia que retiraram para dar ao Estado.
Estraga o dia a um gajo.
É do género: "Toma lá o teu ordenado... Ah, e sabes o dinheiro extra que dava mesmo jeito para as férias, para as obras lá de casa ou para outra coisa qualquer? Podes dizer adeus... Nunca mais o irás ver!!! Ah, aha! Foi para o buraco negro orçamental! AH, AH, AH..."
De facto, sei mesmo que a partir do momento em que entrou nos cofres do Estado, desapareceu. Desapareceu no formato de mais uma viatura de topo para mais um administrador ou secretário de estado, ou para uma qualquer extravagância de um rabeta qualquer de S. Bento.
O meu dinheiro não vai abrir escolas, urgências hospitalares ou servir para aproximar o Interior do Litoral. Trata-se única e exclusivamente de uma espécie de roubo legal, agendado para todos os finais de mês da minha vida profissional.
E isso é chato.
...
Uma das lojas mais normais, daquelas enfiadas no meio dos bairros, longe da agitação 'hipermercantil' de lojas mais afastadas do centro da cidade.
Lá encho a cestinha e vou pagar. Depois de esvaziar a cesta no tapete rolante, passo normalmente pela caixa, pronto para pousar a cesta e pagar. De repente, o alarme da caixa começa a soar... notando que algo não estava bem, dignei-me a retirar os headphones dos orelhudos pedaços de carne e cartilagem que tenho nas laterais cranianas para tentar perceber o que a jovem da caixa me queria dizer (e não, não era o preço...).
"Ah, sabe... a cesta tem de ficar do lado de dentro da loja..." (os gajos metem alarmes nas cestas... liiiinnnndo)
Já com os sensores de ironia e sarcasmos a dar o toque, olhei para trás de mim... à vontade umas dez pessoas na fila e, de facto, uns ditos suportes para as cestas lá bem ao fundo.
Para não me chatear disse apenas:
"Ah... pois, bom para si..."
A jovem da caixa olha-me com um olhar irado como se fosse a coisa mais normal do mundo esvaziar a cesta a cinco metros da caixa e ir para a fila de pagamento com os congelados na mão; creio que na verdade ela estaria mesmo à espera que eu abandonasse as compras na caixa e fosse colocar a merda da cesta onde ela queria.
Não é que não o fizesse... mas achei que seria contra os meus princípios - até porque por muito tarado que seja, nunca me passou pela cabeça andar a passear as compras na mão quando podia levar a cesta até à caixa.
Então ela insistiu, com um risinho amarelo, como se estivesse a falar com um imbecil:
"Não, não, não está a per-ce-ber..." - separando as sílabas desta forma... - "não pode deixar a cestinha aí junto à caixa, tem mesmo de recolocá-la lá dentro".
Este é o ponto em que me passo completamente, estoiro e dou uns berros dentro da loja...
"Vamos a ver! Olhe, se faz assim tanta questão, leve-a você!"
Podia ter explicado os meus motivos, que tal lógica não fazia sentido, mas seria muito para ela...
Aliás... lixado como já andava, teve muita sorte em não a ter mandado à merda a ela, às compras e ao Pingo Doce.
De qualquer forma, era bem mandada. Largou a caixa e foi ela mesmo colocar a cesta dentro da loja...
Creio que há algo a retirar desta história... se pensam que eu sou doido, a jovem da caixa do Pingo Doce deve ter mesmo taras fortes... com a ideia fixa com que estava, deve ser daquelas que fazem castração nocturna a um gajo. Daquelas com quem convém dormir com um olho bem aberto, não vá uma faca ou tesoura deslizar até zonas perigosas... e acordarmos com um enchido na mão. Solto.
Postais.
De Natal, Ano Novo, Dia dos Namorados.
Certo. Faz algum sentido nos dois primeiros casos.
Vou então reformular.
Postais.
Do Dia dos Namorados, Dia da Mulher, da Mãe, do Pai... postais desse tipo.
Sempre que vou a um desses websites que fornecem cartões para enviar por email, reparo em algo deveras estranho.
Há sempre uma opção merdosa no final que refere qualquer coisa como "carregue aqui para enviar a mais destinatários".
Faz todo o sentido, sem dúvida alguma... isto porque um tipo normal tem cinco ou seis "mais que tudo", dez mães e quinze pais...
É uma pergunta lógica. De facto, é a situação mais normal deste mundo. "Deseja enviar o seu cartão a mais alguém?" É... deve ser... a malta envia a três ou quatro diferentes, não vão as coisas dar para o torto... deve ser o conceito de 'plano de contingência' para os e-cards...
É isso e o gajo que entra na papelaria... "Tem cartões que digam 'Ao meu único Amor'? Fixe, dê-me aí uns vinte.."
Continuo a achar uma boa merda enviarem-nos os recibos do ordenado com a indicação da quantia que retiraram para dar ao Estado.
Estraga o dia a um gajo.
É do género: "Toma lá o teu ordenado... Ah, e sabes o dinheiro extra que dava mesmo jeito para as férias, para as obras lá de casa ou para outra coisa qualquer? Podes dizer adeus... Nunca mais o irás ver!!! Ah, aha! Foi para o buraco negro orçamental! AH, AH, AH..."
De facto, sei mesmo que a partir do momento em que entrou nos cofres do Estado, desapareceu. Desapareceu no formato de mais uma viatura de topo para mais um administrador ou secretário de estado, ou para uma qualquer extravagância de um rabeta qualquer de S. Bento.
O meu dinheiro não vai abrir escolas, urgências hospitalares ou servir para aproximar o Interior do Litoral. Trata-se única e exclusivamente de uma espécie de roubo legal, agendado para todos os finais de mês da minha vida profissional.
E isso é chato.
...
05/02/2008
patos
Os patos não são frágeis.
Pelo contrário, os patos são animais complexos, trabalhosos para capturar.
Iludam-se aqueles que pensam que um pato vai a voar e, de repente, cai no chão para ser abocanhado por um retriever ou canino parecido.
A fragilidade patina é um mito.
Somos animais duros. Podemos estar carregados de complexos, incertezas, inseguranças, dúvidas existenciais... contudo, é preciso mais do que um piano de cauda atirado de um vigésimo andar para rebentar connosco.
Conseguimos ferver em pouca água, é fácil termos as entranhas aos saltos pedindo-nos para rebentar com qualquer coisa... mas a calma e serenidade que passamos ao mundo é a de que somos os animais mais felizes à face da Terra.
Aparentemente, os patos não têm problemas; de facto, os patos são é efectivamente o seu próprio problema.
Somente alguns priveligiados nos conhecem realmente. E, mesmo os que têm esse privilégio, dificilmente conseguirão encontrar o cerne e a motivação que nos leva a pensar de determinada forma, a fazer as coisas de determinada maneira, a dizer o que devemos e o que não devemos.
Os patos escondem-se nas sombras da web, passando ao seu fiel teclado os seus sentimentos mais recônditos como um pianista faz com o seu piano.
Temos a nossa quota parte de estupidez; somos impacientes e teimosos q.b.; mas definimos objectivos e lutamos por eles. Nunca ninguém teve coragem de se colocar entre um pato e o seu destino.
Podemos atravessar tempestades, frio cortante ou ondas de calor que nos queimam as pontas das penas direccionais; podem tentar desviar-nos do nosso rumo, baralhar-nos ou até mesmo tentarem abater-nos.
Parece simples mas quando um pato levanta voo, sabe exactamente onde vai aterrar. Até poderá desfazer-se a tentar, poderá tombar na sua derradeira aterragem mas sabe que é algo que tem de fazer. Por si e por todos os patos.
Os patos são parvos, é um facto assente.
Sabem que podem rebentar-se todos a tentar aquele que poderá ser o seu último voo.
Ouvi algures que a vida era demasiado curta para desistirmos sem dar luta.
Os patos levam a máxima muito à letra, mesmo. Os patos não desistem, é só.
Podem esperar dias, aguardar meses, lutar durante anos mas... até ao dia em que o seu pescoço é uma vez mais torcido ficando com a cabeça pendente no seu orgulhoso peito, desistir daquilo em que acreditam é algo que não está ao alcance do seu vocabulário.
Sabem que há aterragens duras (e se o sabem...), sabem que o seu voo nunca é garantido, mas... um pato que acredita é um perigo. Desafia tudo e todos para levantar voo e aterrar.
Os simples humanos dão o seu melhor; os patos oferecem a sua condição patina.
Os simples humanos desistem com medo da queda; os patos sabem à partida que as probabilidades estão contra eles e poderão magoar-se seriamente a tentar.
Os simples humanos encaram tudo como uma nova aventura; os patos sabem que existe uma única aventura: a sua vida - e dão tudo por tudo para conseguir o alinhamento perfeito com a felicidade. Pelo preenchimento das zonas despovoadas do seu ser.
***
A pedido do meu amigo Pato Afonso que anda a começar a encontrar em si a depressão já característica em mim, peço aos meus leitores que façam um exercício. Tentem ao menos salvar aquele pato, já que este não tem cura...
Suponham que são Engenheiros Informáticos e que amanhã uma catástrofe natural ou coisa parecida destruirá o mundo como o conhecemos... será uma nova Idade da Pedra.
Enquanto informáticos, o que poderão fazer para ajudar a reconstruir o Mundo?
Isto é sério... pensei que era só eu que tinha estes problemas mas, com o Pato Branco a pensar assim começo a ficar realmente assustado. A ideia é eu ser o Pato Preto, o pessimista, o infeliz com a vida e ele ser o Pato Branco, o optimista... a web é pequena demais para dois patos pretos!
Larguem as vossas sugestões por aqui. A malta agradece!
Pelo contrário, os patos são animais complexos, trabalhosos para capturar.
Iludam-se aqueles que pensam que um pato vai a voar e, de repente, cai no chão para ser abocanhado por um retriever ou canino parecido.
A fragilidade patina é um mito.
Somos animais duros. Podemos estar carregados de complexos, incertezas, inseguranças, dúvidas existenciais... contudo, é preciso mais do que um piano de cauda atirado de um vigésimo andar para rebentar connosco.
Conseguimos ferver em pouca água, é fácil termos as entranhas aos saltos pedindo-nos para rebentar com qualquer coisa... mas a calma e serenidade que passamos ao mundo é a de que somos os animais mais felizes à face da Terra.
Aparentemente, os patos não têm problemas; de facto, os patos são é efectivamente o seu próprio problema.
Somente alguns priveligiados nos conhecem realmente. E, mesmo os que têm esse privilégio, dificilmente conseguirão encontrar o cerne e a motivação que nos leva a pensar de determinada forma, a fazer as coisas de determinada maneira, a dizer o que devemos e o que não devemos.
Os patos escondem-se nas sombras da web, passando ao seu fiel teclado os seus sentimentos mais recônditos como um pianista faz com o seu piano.
Temos a nossa quota parte de estupidez; somos impacientes e teimosos q.b.; mas definimos objectivos e lutamos por eles. Nunca ninguém teve coragem de se colocar entre um pato e o seu destino.
Podemos atravessar tempestades, frio cortante ou ondas de calor que nos queimam as pontas das penas direccionais; podem tentar desviar-nos do nosso rumo, baralhar-nos ou até mesmo tentarem abater-nos.
Parece simples mas quando um pato levanta voo, sabe exactamente onde vai aterrar. Até poderá desfazer-se a tentar, poderá tombar na sua derradeira aterragem mas sabe que é algo que tem de fazer. Por si e por todos os patos.
Os patos são parvos, é um facto assente.
Sabem que podem rebentar-se todos a tentar aquele que poderá ser o seu último voo.
Ouvi algures que a vida era demasiado curta para desistirmos sem dar luta.
Os patos levam a máxima muito à letra, mesmo. Os patos não desistem, é só.
Podem esperar dias, aguardar meses, lutar durante anos mas... até ao dia em que o seu pescoço é uma vez mais torcido ficando com a cabeça pendente no seu orgulhoso peito, desistir daquilo em que acreditam é algo que não está ao alcance do seu vocabulário.
Sabem que há aterragens duras (e se o sabem...), sabem que o seu voo nunca é garantido, mas... um pato que acredita é um perigo. Desafia tudo e todos para levantar voo e aterrar.
Os simples humanos dão o seu melhor; os patos oferecem a sua condição patina.
Os simples humanos desistem com medo da queda; os patos sabem à partida que as probabilidades estão contra eles e poderão magoar-se seriamente a tentar.
Os simples humanos encaram tudo como uma nova aventura; os patos sabem que existe uma única aventura: a sua vida - e dão tudo por tudo para conseguir o alinhamento perfeito com a felicidade. Pelo preenchimento das zonas despovoadas do seu ser.
***
A pedido do meu amigo Pato Afonso que anda a começar a encontrar em si a depressão já característica em mim, peço aos meus leitores que façam um exercício. Tentem ao menos salvar aquele pato, já que este não tem cura...
Suponham que são Engenheiros Informáticos e que amanhã uma catástrofe natural ou coisa parecida destruirá o mundo como o conhecemos... será uma nova Idade da Pedra.
Enquanto informáticos, o que poderão fazer para ajudar a reconstruir o Mundo?
Isto é sério... pensei que era só eu que tinha estes problemas mas, com o Pato Branco a pensar assim começo a ficar realmente assustado. A ideia é eu ser o Pato Preto, o pessimista, o infeliz com a vida e ele ser o Pato Branco, o optimista... a web é pequena demais para dois patos pretos!
Larguem as vossas sugestões por aqui. A malta agradece!
canções

Um dia escrevo-te uma canção.
No restaurante onde costumo ir almoçar, os cafézinhos finais são acompanhados por um agradável pacotinho de açúcar onde todos os dias encontramos uma frase diferente.
Bom, relativamente ao agradável, devo dizer que a questão é um pouco dúbia. De facto, as frases mais agradáveis são sempre para guardar religiosamente porque não são de todo as indicadas para referir numa mesa cheia de gajos.
Seria interessante, sem dúvida alguma, virar-me para um colega e dizer que lhe iria escrever uma canção... deveras interessante, mas não para mim.
Por outro lado, não é totalmente verdade que as frases sejam sempre diferentes. Pelo menos as minhas são assustadoramente recorrentes. "Um dia escrevo-te uma canção", "um dia escrevo-te uma canção", "um dia escrevo-te uma canção"...
Penso que é um bocado chato.
Isso e o bloco de texto final.
"Hoje é o dia" seguido de "Encontros Perfeitos".
Pergunto-me se o gajo que escreve estas coisas não gostaria de ir enfiar qualquer coisinha no recto.
Epa, é o que dia até corre minimamente merdoso, o almoço come-se e, para acabar em beleza, espetam com estas coisas no café de um gajo.
Não me parece ser justo. Passa ali a raspar a crueldade.
Recentemente passaram-me a informação relativamente a mais uma fantástica obra informática.
Se forem à página do Ikea, no canto superior direito têm um link com a indicação "Pergunte à Anna".
A Anna não é mais que uma assistente virtual que dá informações acerca do Ikea.
Claro que as mentes porcas dos informáticos são capazes de tudo... basta pensarem um pouco e conseguirão encontrar as perguntas a que me refiro.
Contudo, a moça foi programada com tal distinção por aqueles informáticos que consegue dar tampas a um gajo com toda a classe.
Como referi há dias, agora devo ter batido o meu recorde pessoal: até de uma jovem que habita num disco rígido consegui levar uma nega.
O Pato soma e segue.
(Só uma coisinha... já repararam que, da forma como fiz a digitalização do pacote de açúcar, parece que a imagem está toda inclinada? ih ih ih... efeitos do feriado em casa)
04/02/2008
ecossistemas
Os ecossistemas andam perturbados.
Existe, ou pelo menos deveria existir, um equilíbrio natural, uma ordem comum das coisas.
Sinto que nada está como deveria estar, nem sequer a jarra de flores na mesa ou a disposição dos cartões na carteira.
Sai-se de casa, entra-se em casa, trabalho, in, out, e parece mesmo que anda tudo de pernas para o ar.
É esquisito, meio marado.
Vi uma vez um filme (que até metia patos ao barulho) onde uma das personagens afirmava que 'era uma ilha'.
Segundo ele, todos os homens eram ilhas. Universos bem definidos onde tudo era medido em unidades de tempo.
Não é suposto sermos ilhas.
Existe um único ecossistema onde todos coexistimos.
Vou tentar ser menos vago... quando alguém, algures no mundo, mete a mão nas calças e coça o rabo, na realidade está a coçar não só o seu rabo, mas o rabo de todos nós.
Se calhar não foi o melhor dos exemplos...
Há uma certa ordem no caos. O próprio caos tem alguma ordem. Uma ordem caótica, mas não é por isso que deixa de ter ordem.
Isto é tudo como que um puzzle com peças bem definidas e encaixes únicos. Não é possível ter a mesma peça em dois locais ao mesmo tempo. Encaixa ali e pronto.
Enquanto isto se processa assim, o ecossistema está a processar.
Cheira-me que andam por aí vários ecossistemas à mistura, eventualmente de submundos e universos paralelos. Os unicórnios malhados já não saciam a sua sede nas margens dos lagos cristalinos onde pequenos servidores brotam do nada.
Pelo contrário... andam a cair dos céus mainframes de grandes dimensões que se esborracham violentamente nos unicórnios, fadas e elfos que passeiam pacificamente pelos caminhos de terra ladeada de flores.
Os patos não têm medo, mas ando um bocado assustado.
Cabos de rede de categoria 6 enrolam-se nas minhas barbatanas como ervas daninhas; aparecem por todo o lado... os ratos ópticos escondem-se nos becos escuros deixando visível ao longe o seu olho vermelho cintilante.
Os unicórnios, andam a desaparecer. E com eles, outras tantas criaturas fantásticas.
Não bebi nada ao jantar, caso se estejam a perguntar acerca.
Mas é algo manhoso.
Existe, ou pelo menos deveria existir, um equilíbrio natural, uma ordem comum das coisas.
Sinto que nada está como deveria estar, nem sequer a jarra de flores na mesa ou a disposição dos cartões na carteira.
Sai-se de casa, entra-se em casa, trabalho, in, out, e parece mesmo que anda tudo de pernas para o ar.
É esquisito, meio marado.
Vi uma vez um filme (que até metia patos ao barulho) onde uma das personagens afirmava que 'era uma ilha'.
Segundo ele, todos os homens eram ilhas. Universos bem definidos onde tudo era medido em unidades de tempo.
Não é suposto sermos ilhas.
Existe um único ecossistema onde todos coexistimos.
Vou tentar ser menos vago... quando alguém, algures no mundo, mete a mão nas calças e coça o rabo, na realidade está a coçar não só o seu rabo, mas o rabo de todos nós.
Se calhar não foi o melhor dos exemplos...
Há uma certa ordem no caos. O próprio caos tem alguma ordem. Uma ordem caótica, mas não é por isso que deixa de ter ordem.
Isto é tudo como que um puzzle com peças bem definidas e encaixes únicos. Não é possível ter a mesma peça em dois locais ao mesmo tempo. Encaixa ali e pronto.
Enquanto isto se processa assim, o ecossistema está a processar.
Cheira-me que andam por aí vários ecossistemas à mistura, eventualmente de submundos e universos paralelos. Os unicórnios malhados já não saciam a sua sede nas margens dos lagos cristalinos onde pequenos servidores brotam do nada.
Pelo contrário... andam a cair dos céus mainframes de grandes dimensões que se esborracham violentamente nos unicórnios, fadas e elfos que passeiam pacificamente pelos caminhos de terra ladeada de flores.
Os patos não têm medo, mas ando um bocado assustado.
Cabos de rede de categoria 6 enrolam-se nas minhas barbatanas como ervas daninhas; aparecem por todo o lado... os ratos ópticos escondem-se nos becos escuros deixando visível ao longe o seu olho vermelho cintilante.
Os unicórnios, andam a desaparecer. E com eles, outras tantas criaturas fantásticas.
Não bebi nada ao jantar, caso se estejam a perguntar acerca.
Mas é algo manhoso.
02/02/2008
carnavais
Não sei porquê mas, tal como outras tantas coisas na vida, nunca morri de amores pelo Carnaval.
Nunca gostei de brincar mascarado, pregar partidas idiotas (guardo isso para o 1º de Abril) ou andar a gritar feito doido pelas ruas.
A única coisa que realmente tinha piada era ver as bundinhas (e não só...) brasileiras desfilando pelo sambódromo. Sim, nos bons e velhos tempos em que só tínhamos as brasileiras a desfilar na televisão, era espectáculo para a noite toda ficar a ver as maravilhas exóticas de além-mar.
Agora, com a massificação do culto da bunda e da teta, já nem isso tem graça.
Aliás, gosto especialmente da forma como anunciam alguns carnavais... "O Carnaval mais brasileiro de Portugal...". Ena... é isso e ver o Professor Caramba como Rei do Carnaval de Merdice-a-Velha.
Hoje em dia há bundas a desfilar por tudo quanto é sítio. Como tal, perdeu-se a mística da raridade.
Por que é que os Ferraris são tão cativantes? Lá está, porque são peças quase únicas, raridades apenas ao alcance de alguns.
As bundas eram assim... agora não passam de Fords, Hondas e afins... :(
De qualquer forma não resisto à piada refundida da noite: há aquelas peças tão raras, tão raras e cativantes que... puff. Existem, não existem, não passarão de alucinações?
O Carnaval nunca teve assim tanta emoção...
Creio até que algures aqui no ninho tenho uma foto da minha nobre pessoa vestida de Abelha Maia e a chorar que nem um perdido.
Normal... qualquer puto com 2, 3 anos vestido como um animal que é enrabado por um pato preto chamado Calimero choraria que nem um perdido.
Este ano até estive tentado a abrir uma excepção.
Na segunda-feira poderia ir mascarado para o trabalho.
Até tive uma ideia brilhante.
Arranjava um fato preto ou vermelho e uma foice à 'coisa' e umas roupas rasgadas e umas correntes para mim. Faríamos um excelente par com o tema "O demónio e o condenado"...
Creio que finalmente consegui ter uma piada engraçada... ou não.
Falando em carnavais, foram hoje os funerais dos putos assassinados em Rio de Mouro.
Ao que parece, a polícia esteve presente, mas à paisana.
Na realidade, não foi assim tão à paisana como possamos pensar.
Não iam fardados, é um facto, mas eram os únicos brancos naquela zona... Ya... facilmente identificáveis.
De qualquer forma não haveria grande diferença.
Diariamente há por aí uns tipos mascarados de polícias a fingir que nos protegem e uns palhaços mascarados de médicos de emergência a fingir que salvam vidas... só me chateia por dois motivos: o primeiro é que são os impostos aqui do macaco que lhes pagam os ordenados; o segundo é que essa merda faz-me acreditar que é sempre Carnaval.
Acho que no ano passado usei uma afirmação idêntica... devo estar a ficar velho e a perder qualidades. Qualquer dia ainda fico sem leitores.
Para além da cena da Abelha Maia só me lembro de mais duas máscaras... a de cowboy (mas dos duros, não dos rabetas da Montanha do Rabo Partido) e a de Zorro. Acho que era mesmo opção minha, mas nunca quis mascarar-me de outra coisa. Era sempre Cowboy, Zorro, Cowboy, Zorro... era mesmo tarado...
Bom, como a maior parte da malta já deve desconfiar, não sou exactamente um Pato.
Sejamos lógicos. Apesar de serem as únicas aves capazes de matar um tubarão bicando-lhe os olhos, os patos não falam, andam, conduzem ou desempenham outras tarefas humanas. Na verdade, até o escrever num teclado seria demasiado complexo para um tipo sem dedos.
Há que ser prático. Um tipo com asas nunca conseguiria coçar os jardins suspensos. Eventualmente esfregar... mas não coçar...
O facto de ser pato é mesmo numa abrangência muito mais metafórica.
Dessa forma, pensei até em mascarar-me de pato. Era fácil.
Cobria-me de mel (isto agora teria muitas interpretações... muitas delas obscuras) e atirava-me para um monte de almofadas de penas estrategicamente rasgadas. Umas mangas compridas resolveriam o problema dos patos não terem mãos e, quanto às barbatanas... bom, quando estou descalço os meus pés assemelham-se mesmo muito a umas barbatanas. Bastaria manter os dedos juntos e não teríamos problemas.
A única coisa impeditiva de vestir tal fantasia seria o rabinho característico dos patos. Teria de enfiar um espanador no recto e deixar as penas de fora. Para além de acreditar que seria deveras desagradável (porque deste rabo só saem coisas, não entram) creio que não teria coragem para tal.
Assim, elimina-se a fantasia de pato.
Enfim...
Na minha brilhante condição humana e metaforicamente patina, tentarei sobreviver a mais um Carnaval, evitando heroicamente os ovos e balões de água que costumam cair das janelas por esta altura, e vestindo a minha já famosa bipolar fantasia: a de informático tarado durante o dia e de escritor frustrado, solitário e nojento durante a noite.
Divirtam-se patinamente.
Nunca gostei de brincar mascarado, pregar partidas idiotas (guardo isso para o 1º de Abril) ou andar a gritar feito doido pelas ruas.
A única coisa que realmente tinha piada era ver as bundinhas (e não só...) brasileiras desfilando pelo sambódromo. Sim, nos bons e velhos tempos em que só tínhamos as brasileiras a desfilar na televisão, era espectáculo para a noite toda ficar a ver as maravilhas exóticas de além-mar.
Agora, com a massificação do culto da bunda e da teta, já nem isso tem graça.
Aliás, gosto especialmente da forma como anunciam alguns carnavais... "O Carnaval mais brasileiro de Portugal...". Ena... é isso e ver o Professor Caramba como Rei do Carnaval de Merdice-a-Velha.
Hoje em dia há bundas a desfilar por tudo quanto é sítio. Como tal, perdeu-se a mística da raridade.
Por que é que os Ferraris são tão cativantes? Lá está, porque são peças quase únicas, raridades apenas ao alcance de alguns.
As bundas eram assim... agora não passam de Fords, Hondas e afins... :(
De qualquer forma não resisto à piada refundida da noite: há aquelas peças tão raras, tão raras e cativantes que... puff. Existem, não existem, não passarão de alucinações?
O Carnaval nunca teve assim tanta emoção...
Creio até que algures aqui no ninho tenho uma foto da minha nobre pessoa vestida de Abelha Maia e a chorar que nem um perdido.
Normal... qualquer puto com 2, 3 anos vestido como um animal que é enrabado por um pato preto chamado Calimero choraria que nem um perdido.
Este ano até estive tentado a abrir uma excepção.
Na segunda-feira poderia ir mascarado para o trabalho.
Até tive uma ideia brilhante.
Arranjava um fato preto ou vermelho e uma foice à 'coisa' e umas roupas rasgadas e umas correntes para mim. Faríamos um excelente par com o tema "O demónio e o condenado"...
Creio que finalmente consegui ter uma piada engraçada... ou não.
Falando em carnavais, foram hoje os funerais dos putos assassinados em Rio de Mouro.
Ao que parece, a polícia esteve presente, mas à paisana.
Na realidade, não foi assim tão à paisana como possamos pensar.
Não iam fardados, é um facto, mas eram os únicos brancos naquela zona... Ya... facilmente identificáveis.
De qualquer forma não haveria grande diferença.
Diariamente há por aí uns tipos mascarados de polícias a fingir que nos protegem e uns palhaços mascarados de médicos de emergência a fingir que salvam vidas... só me chateia por dois motivos: o primeiro é que são os impostos aqui do macaco que lhes pagam os ordenados; o segundo é que essa merda faz-me acreditar que é sempre Carnaval.
Acho que no ano passado usei uma afirmação idêntica... devo estar a ficar velho e a perder qualidades. Qualquer dia ainda fico sem leitores.
Para além da cena da Abelha Maia só me lembro de mais duas máscaras... a de cowboy (mas dos duros, não dos rabetas da Montanha do Rabo Partido) e a de Zorro. Acho que era mesmo opção minha, mas nunca quis mascarar-me de outra coisa. Era sempre Cowboy, Zorro, Cowboy, Zorro... era mesmo tarado...
Bom, como a maior parte da malta já deve desconfiar, não sou exactamente um Pato.
Sejamos lógicos. Apesar de serem as únicas aves capazes de matar um tubarão bicando-lhe os olhos, os patos não falam, andam, conduzem ou desempenham outras tarefas humanas. Na verdade, até o escrever num teclado seria demasiado complexo para um tipo sem dedos.
Há que ser prático. Um tipo com asas nunca conseguiria coçar os jardins suspensos. Eventualmente esfregar... mas não coçar...
O facto de ser pato é mesmo numa abrangência muito mais metafórica.
Dessa forma, pensei até em mascarar-me de pato. Era fácil.
Cobria-me de mel (isto agora teria muitas interpretações... muitas delas obscuras) e atirava-me para um monte de almofadas de penas estrategicamente rasgadas. Umas mangas compridas resolveriam o problema dos patos não terem mãos e, quanto às barbatanas... bom, quando estou descalço os meus pés assemelham-se mesmo muito a umas barbatanas. Bastaria manter os dedos juntos e não teríamos problemas.
A única coisa impeditiva de vestir tal fantasia seria o rabinho característico dos patos. Teria de enfiar um espanador no recto e deixar as penas de fora. Para além de acreditar que seria deveras desagradável (porque deste rabo só saem coisas, não entram) creio que não teria coragem para tal.
Assim, elimina-se a fantasia de pato.
Enfim...
Na minha brilhante condição humana e metaforicamente patina, tentarei sobreviver a mais um Carnaval, evitando heroicamente os ovos e balões de água que costumam cair das janelas por esta altura, e vestindo a minha já famosa bipolar fantasia: a de informático tarado durante o dia e de escritor frustrado, solitário e nojento durante a noite.
Divirtam-se patinamente.
01/02/2008
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